quinta-feira, 19 de março de 2020

Dia 4

Já nos habituamos a esta vida. E até estamos a gostar. Hoje foi dia 'não' dos banhos. Não se nota diferença. Talvez seja para manter.

Quisemos partilhar com o mundo as nossas experiências e criamos uma página no FB para influenciar os outros com formas de vencer com positividade esta cena ruim. Ao fim de 3 horas tínhamos 2 seguidores desaparecidos, enterrados em centenas de comentários e fake news, daquelas cenas que a malta partilha e que no fundo é tudo mentira, e mais umas centenas de "angry faces" e "não gostos". A gota de água foram as mais de 5 ameaças de morte, vindas de pessoas bem calmas e que vão à missa e tudo (quando havia missas).
Apagamos a página. Se é pra morrer que seja da doença e não da cura.

Não sei se com a emergência nacional uma pessoa pode ir à Ribeira do Gago ou não. Deve depender do polícia que aparecer pela frente, como o outro em Ovar. Adiante...Era para ir à Ribeira do Gago passear o cão, mas por causa da Emergência Nacional não fui. Vai daí fui lavar o telhado, sempre se arejam as vistas. Tentei lavar o telhado mas a mangueira era curta. Liguei pro Barrega. "Tendes por aí uma mangueira mais comprida que a minha?", perguntei. Desligaram, e mandar-me para um qualquer sítio rimado com alho. Anda tudo muito nervoso. Esfreguei as telhas com uma vassoura. Todas, menos as de vidro. É preciso muito cuidado com os telhados de vidro. 

A minha filha mais nova acordou a choramingar a meio da noite. Disse EU para a minha Senhora: olha a menina. Ela abraçou-me e disse-me ao ouvido, naquele jeito doce: atura-a que também é tua. Lá peguei na miúda, ela desejou-me um Feliz Dia do Pai e ofereceu-me uma fralda cagada. Depois disse que queria ver os bonecos na televisão. Andamos todos, todo o dia, a ver a Baby TV, agora também temos de aturar isso à noite? Tentei explicar-lhe que não era possível, em troca pediu-me 2 biscoitos da Sofia. Aceitei o acordo. A minha filha tem jeito para negociar. Vai é matar-me quando perceber que só há bolachas maria.

Hoje apostamos num jantar diferente. Vai ser uma caldeirada de potas que ainda havia ali numa lata. Talvez não seja bom para o sistema digestivo que já está habituado só a atum. A sorte é que ainda há papel higiénico. E podemos passar um bom tempo na casa de banho. 
Mas tempo, não nos falta nesta quarentena.

Para acompanhar fizemos pão caseiro com uma receita que alguém partilhou para fazer na Bimby (obrigado, mas não temos Bimby). Foi a cozer no forno a lenha, que estava um bocadinho quente (talvez demais) mas ficou muito bom...bom para usar como carvão para assar umas entremeadas de atum amanhã.

Já estamos a caminho de uma noite que vai ser serena. Voltei a falar com normalidade com a minha senhora. Não fazia sentido manter hostilidades com a única pessoa que me atura nesta quarentena. Não vamos ver televisão porque é hora de enterrar o machado de guerra.  Vamos brincar aos índios... e cowgirls. Wish me luck !!!

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