quarta-feira, 18 de março de 2020

Dia 2

Hoje acordamos cedo. Muito cedo. Nada que não se esperasse. 
Fomos fazer uma corrida matinal junto à Regueira do Feital mas não nos afastamos muito de casa. 
Não vimos ninguém durante o passeio.  

Ouvimos dizer que uma prima, da cunhada de uma senhora que nunca ouvimos falar, trouxe o virus para Portugal enrolado numa raposa que as pessoas chiques usam ao pescoço. Acreditamos, porque foi num vídeo partilhado do Facebook.

Já estamos fartos de atum. Mandamos mensagem à Maria do Supermercado para ver se nos arranjava uma ou dez embalagens de rissóis de leitão. Disse que já não havia. Em troca tinha Cachaça 51 e limas, ou um Bolsonaro. Preferimos a Cachaça e as limas, até porque temos açúcar e gelo em casa. Não queremos o Bolsonaro, porque tolos já temos que cheguem. 

Ontem ouvimos a Ministra a dizer para não deixarmos de trabalhar. A ministra deve ser parva a mandar-nos trabalhar a tão poucos dias da páscoa.

Tocaram-nos à campainha. Estranhamos. 
Foi a minha Senhora que lá foi. Vinham vender gordura de réptil rastejante para uma acção positiva de defesa da integridade pessoal. 
"Banha da cobra", pensou ela, "só se for para fazer rojões de atum", disse-lhes. Ficaram ofendidas. Tanta negatividade. 

De resto, ainda há papel higiénico. Há de chegar para o tempo que falta da quarentena. 
E tempo, é coisa que não falta.

Logo à noite vamos fazer biscoitos de gengibre. Mas não temos gengibre, só cachaça e limas. Há de correr bem.

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